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Uma família da Terra de Santa Maria

Apresentação de Ana Andreia de Bastos

“Boa tarde a todos: Sr. Presidente da Câmara José Emídio, Padre Zé Carlos, boa tarde a todos os familiares e amigos e obrigada pela vossa presença.

Quero começar por agradecer ao Acácio o convite, que muito me lisonjeia e principalmente quero agradecer-lhe o privilégio de poder transmitir aos meus filhos a herança da história dos nossos antepassados, das nossas raízes.

Não são histórias de reis, são histórias de homens e mulheres simples, de lavradores, são histórias muito especiais para mim, porque são sobre a minha família!

Este livro é uma oportunidade de revisitação e encontro com o passado, com os valores e vivências de várias gerações. É um livro que nos transporta para um passado longínquo e tão diferente dos dias de hoje e que apesar de relatar um contexto distante me deixa saudade de uma época que não vivi.

Claustros do convento dos Lóios, onde foi feita a apresentação do livro

Os acontecimentos históricos cruzam-se com a história da família

Antes de entrar em considerações mais pessoais acerca do «Fazedor de armenhas», quero sublinhar a forma interessante como o autor cruza os acontecimentos históricos mais relevantes, tais como as pestes e invasões francesas, entre outros, com a história da família nas sucessivas gerações. O que nos ajuda a ter um panorama completo e a contextualização histórica imprescindível para a compreensão das histórias.   

Entre muitos pensamentos que se afloravam durante a leitura havia um pensamento que esteve sempre presente e foi o facto de concluir que em Mosteirô somos todos primos uns dos outros. O livro começa com a história de Sebastião Alves a quem se sucedem muitos descendentes de sobrenome Silva, Pereira, Santos, Correia, Andrade, Nicolau, entre outros. Como eram poucos os habitantes da aldeia através do casamento criavam laços entre si. O que nos permite concluir que os habitantes de Mosteirô são uma grande família num grau mais ou menos próximo, somos todos parentes uns dos outros.

Albert Camus diz: «Cada homem tem que descobrir a sua casa» sendo que casa não é no sentido literal da palavra, querendo dizer que cada um de nós deve descobrir-se a si próprio, deve fazer o caminho de encontro com o seu passado e presente. E as histórias relatadas neste livro sobre as gerações passadas são como um encontro com o passado que se faz sentir presente.

José Tolentino de Mendonça acrescenta que «Nós somos a nossa casa.» E neste processo de descoberta o livro tornou-se valioso, porque fala sobre os valores e as formas de vida dos meus antepassados, aproximando-me de uma época distante.

Os campos, a terra e a água

Os campos, as sementeiras, as gerações de lavradores dedicados à terra, ao sustento e proveito que dela tiravam. As casas que habilmente construíram, de acordo com as necessidades e o agregado familiar, as armenhas…, são histórias de uma simplicidade genuína e manifesta do estilo de vida da época. São o nosso património, a nossa herança, que nunca devemos esquecer e assim saberemos sempre onde é a nossa casa.

O livro também nos ajuda a perceber e a construir a nossa casa, nele encontramos as pedras e fundações que estão na base da construção de cada um de nós.

Muitas das histórias relatadas no livro fazem-me lembrar o meu avô Germano. Os relatos dos serões invernosos na casa da avó Linda fazem-me lembrar o meu avô à lareira.

Compreendi melhor o valor e o significado de campo, de terra e de água. Compreendi melhor o significado que o meu avó atribuía ao campo que herdou em Agoncida e ao facto de nunca o deixar ao abandono. Compreendi melhor o facto de fazer questão de o cultivar e vindimar.

Mesmo quando as forças eram poucas ele insistia no valor das vinhas e chamava os netos para o ajudar. Foram dias que os primos nunca mais esquecerão.

O valor da terra e da água, o valor do trabalho e da palavra são ensinamentos que quero perpetuar através dos meus filhos, são a melhor herança dos meus antepassados. São os ensinamentos que os meus avós herdaram e que passaram de geração em geração, como tão bem relata este livro.

Gustav Jung escreveu que «O importante não é ser perfeito, é ser inteiro.» E conhecer as minhas, as nossas raízes tornou-me mais consciente, mais inteira.

As nossas raízes são a nossa casa

E a nossa casa é como uma raiz, que de forma orgânica vai crescendo em profundidade na terra e alimentando-se da água. A terra é a nossa família e a água são os nossos afectos.

E a história da minha família, narrada neste livro é como uma raiz profunda de uma árvore que nasceu e cresceu em Mosteirô e que continua viva dispersando sementes pelo mundo inteiro.

21 de Maio, de 2021

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